segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Memórias de Penteadeira III.

Lembra de quando você recebia telefonemas às 3 horas da manhã e atendia com a voz rouca de sono? Esses telefonemas eram meus.
Eu sabia que assim que acordasse, você viria até aqui com a mais recente edição daquele jornal inglês e me contaria dos telefonemas estranhos que ocorriam de madrugada, que nada diziam e logo desligavam.
Sabe... é que muitas noites eu sentia sua falta quando não estava aqui e precisava te ligar só para saber se era mesmo verdade que você existia. Era pelo mesmo motivo que eu encostava a cabeça no seu peito antes de adormecer, só para sentir sua respiração irregular e seus batimentos cardíacos.
Eu precisava saber se era real.
Não me culpe, eu simplesmente não soube reconhecer a felicidade quando a encontrei. Eu só soube te necessitar.
E necessito.
Ainda necessito.
E aonde está você agora?
Lembra de quando você recebia telefonemas às 3 horas da manhã?
Até que em uma madrugada você não atendeu.
E no dia seguinte eu não li a edição mais recente daquele jornal inglês.

Herói.

Quando vai entender que preciso ser salva? Preciso que levante correndo da cama de madrugada, vista sua capa e venha voando me ver.
Olha no seu cinto de utilidades, vê se não encontra algo que talvez me pertença, provavelmente meu coração, e traz ele para mim.
Me salva, me tira dessa solidão.
Te juro que nem precisa ficar de ponta cabeça, pendurado em uma teia,  para eu te beijar. Te juro que não conto sua identidade para ninguém, mas tem que me prometer exclusividade.
Você me salva e eu te salvo, combinado?
Agora me tira dessa solidão que eu tiro essa kriptonita de perto de você.
Só levanta da cama, veste essa capa e vem. Mas vem rápido, vem voando.

domingo, 13 de novembro de 2011

Ana e o Mar.

A primeira vez que Ana conheceu o mar, conheceu também o amor.
Assim que Ana chegou perto, o mar se agitou. Afinal, o amor era algo novo para ele também.
O mar beijava os pés de Ana declarando sua paixão e Ana sorria admirada pelo seu amado.
Eles se pertenciam. Mas não deveriam se pertencer.
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
O amor prega peças, não se pode controlá-lo. Ana se apaixonou pelo mar e ele por ela. O mar pertencia à Ana e Ana queria pertencer ao mar.
A primeira vez que Ana conheceu o mar, conheceu também o amor.
Mas no mesmo dia, conheceu a ilusão.
O mar ainda era de todos, não pertencia só à Ana.