Sei que a hora é dela
E ninguém mais tem
O dever de se importar
Mas nessa fase
A gente perde
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Sexta de Música #16
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Quinta de Poesia #16
"É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência".
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Cecília.
"Querida irmã,
a vida na cidade grande é dura. Não há cor. Há pecado por todo o lado, ninguém se respeita, ninguém se importa, ninguém se cumprimenta, todos são solitários.
Eu me pergunto aonde está a música, mas não há. Eu me pergunto aonde está a inocência, mas ela só é encontrada em quem acaba de nascer.
É difícil, irmã, para uma garota do interior se acostumar com a cidade. Eu sinto sua falta. Eu sinto falta da pequena igreja, da conversa na praça, de deixar a porta aberta, das pessoas sem malícia. Mas principalmente, eu sinto falta do céu e das estrelas. Os prédios me impedem de ver o céu, o cinza e a poluição impedem que as estrelas apareçam.
Sabe, acho que desaprendi a ser feliz aqui na cidade. É mais fácil me misturar ao humor sórdido e cinza daqui do que sorrir e assumir uma posição feliz e colorida.
As pessoas repugnam a cor. Isso me assusta.
Não há futuro, irmã. Não há salvação para essas pessoas ou para essa cidade.
Desculpe irmã, mas depois de ver o mundo como ele realmente o é, não vejo motivos para continuar aqui.
Desculpe irmã, mas essa será a última vez que terá noticias de mim, pois eu pecarei. Pecarei em uma forma de me encontrar com Ele e me livrar dessa imundice de mundo.
Por favor, não chore com minha partida, um dia nos encontraremos e em um lugar muito melhor.
Com amor,
Cecília."
E a cidade se calou. Houve um longo silêncio entre uma onda e outra, enquanto Cecília caía. Mas ela estava certa, ninguém se importava. A cidade voltava para os seus barulhos, a sua falta de cor e os seus pecados, enquanto Cecília ia de encontro à sua felicidade.
a vida na cidade grande é dura. Não há cor. Há pecado por todo o lado, ninguém se respeita, ninguém se importa, ninguém se cumprimenta, todos são solitários.
Eu me pergunto aonde está a música, mas não há. Eu me pergunto aonde está a inocência, mas ela só é encontrada em quem acaba de nascer.
É difícil, irmã, para uma garota do interior se acostumar com a cidade. Eu sinto sua falta. Eu sinto falta da pequena igreja, da conversa na praça, de deixar a porta aberta, das pessoas sem malícia. Mas principalmente, eu sinto falta do céu e das estrelas. Os prédios me impedem de ver o céu, o cinza e a poluição impedem que as estrelas apareçam.
Sabe, acho que desaprendi a ser feliz aqui na cidade. É mais fácil me misturar ao humor sórdido e cinza daqui do que sorrir e assumir uma posição feliz e colorida.
As pessoas repugnam a cor. Isso me assusta.
Não há futuro, irmã. Não há salvação para essas pessoas ou para essa cidade.
Desculpe irmã, mas depois de ver o mundo como ele realmente o é, não vejo motivos para continuar aqui.
Desculpe irmã, mas essa será a última vez que terá noticias de mim, pois eu pecarei. Pecarei em uma forma de me encontrar com Ele e me livrar dessa imundice de mundo.
Por favor, não chore com minha partida, um dia nos encontraremos e em um lugar muito melhor.
Com amor,
Cecília."
E a cidade se calou. Houve um longo silêncio entre uma onda e outra, enquanto Cecília caía. Mas ela estava certa, ninguém se importava. A cidade voltava para os seus barulhos, a sua falta de cor e os seus pecados, enquanto Cecília ia de encontro à sua felicidade.
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