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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Marina.

Marina segue sua rotina sem nem precisar do auxílio de relógios. Acorda no mesmo horário sem diferenciar o dia da semana, se veste com o uniforme sempre bem passado, sai para trabalhar e sobrevive dia após dia, sempre da mesma maneira.
Marina não chamaria sua vida de monótona. É mais como uma eterna epifania. O bom é que ela sempre pode prever o que vai acontecer. O ruim é que ela se engana em pensar assim.
Marina acordou atrasada um dia desses. Até que um dia ela não conseguiu dormir. Nem no dia seguinte nem no outro. As noites já não eram mais feitas para descansar e sim para pensar. Um turbilhão de pensamentos a invadia todas as noites e ditava o rumo dos seus sonhos.
Era sempre um homem. Os olhos que a conheciam tão bem mesmo em tão pouco tempo. Aqueles olhos a despiam, tiravam-lhe a fala, o sono e até mesmo o juízo. Marina era capaz de tudo para vê-los brilhar.
Tudo ao redor de Marina faziam com que ela lembrasse daqueles olhos e desejasse estar frente a frente com eles de novo. Marina sabia que essa obsessão tinha nome.
A vida de Marina não é mais monótona ou segue uma rotina depois dessa obsessão (chamem de paixão, amor, paçoca, o que for.). Agora Marina simplesmente não sabe o que fazer.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Lara.

Eu conheci Lara no último ano do colegial. Ela era a garota que mais chamava atenção na sala, não por ser popular, mas pela pele extremamente branca em contraste com as roupas sempre pretas para disfarçar seu manequim plus size. 
Lara quase nunca falava, mas aposto que se falasse tocaria todos com suas palavras. Carregava um sorriso vago no rosto, como se não encontrasse motivos para sorrir de verdade e no geral, parece que não tinha mesmo. Nunca a vi com um grupo certo de amigos, nada além de seus livros, seus pais sempre que apareciam no colégio estavam gritando com ela, enquanto nervosa, ela arranhava as próprias mãos. Eu sentia pena dela, mas não sabia ao certo o que fazer.
Até que Lara não suportou mais, as pessoas caçoando dela, os pais, o colégio... Num dia ensolarado, na naquela pequena cidade italiana, ela abriu os portões e saiu.
Quando eu olhei para trás lá estava ela correndo sem direção.
"Corra, menina, corra. vá de encontro ao seu destino, abra os braços e deixe o vento te levar, apenas respire e não pare de correr jamais."
E naquele momento eu só conseguia pensar que talvez o mundo fosse pouco para ela por não saber ver a beleza por trás daqueles olhos claros, da pele branca, da bochecha vermelha e da única mão que amacia um aperto.

terça-feira, 27 de março de 2012

Joana.

Tem dois olhos cor de mel a encarando, olhos de ressaca, como os de Capitu. A maquiagem não adiantou, nem adiantaria, a ressaca está dentro deles, subentendida.
Mas ele gosta.
Tem uma boca pintada de vermelho em frente à ela, contraída, praguejando por ser tão grande. Mas foi um pedido dele que seus lábios estivessem pintados dessa cor, então realmente importa se isso só os deixa maiores?
Ela olha para o relógio, do espelho e nota que nem no dia de hoje, quando chega a ser de bom tom se atrasar, ela consegue.
E até disso ele gosta.
Porém, será que ele vai continuar gostando de tudo depois do dia de hoje? Ele vai continuar gostando dela quando descobrir que ela não anota os recados, que quando ela vai para a cozinha alguma coisa sempre queima e que ela é a pior pessoa do mundo quando fica de TPM?
Ela espera que ele continue gostando.
Mas quando ela entrou na igreja, mesmo com o vestido exagerado, o batom muito vermelho e os olhos de ressaca, ele sorriu. E naquele momento ela teve certeza, como nunca tivera em toda sua vida.
E ela soube que ele gostava dela e gostaria independente de qualquer coisa. Para sempre.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Igor.

Eu queria ter o poder de livrá-lo dessas pessoas, queria que ele fosse um homem como qualquer outro. Quando ele nasceu, achei que tinha conseguido o filho perfeito. Um par de olhos, de braços, de pernas. Uma boa audição, um coração que batia forte em seu peito, tudo parecia perfeito. E por alguns anos, eu achei  que isso era tudo. Sua infância fora tão normal e tão feliz que os primeiros sintomas da doença eu entendia como "coisa de adolescente".
Dos quatorze aos dezesseis nos falávamos raramente, ele ia mal na escola e chegou a repetir de ano, não tinha amigos, vivia trancado em casa e seu comportamento era volúvel e estranho. Eu culpava minha esposa e ela me culpava. Só quando Igor completou dezessete anos, descobrimos que a culpa não era nem nossa, nem dele.
Igor foi diagnosticado com esquizofrenia indiferenciada. Meu filho perfeito era esquizofrênico. Um par de olhos, de braços, de pernas. Uma boa audição, um coração que batia fortemente em seu peito, mas com um cérebro ruim, que o fazia ter alucinações e delírios.
Eu pensei que isso fosse matar o meu filho. Aos poucos eu via o Igor a quem dei comida na boca, troquei as fraldas, ensinei a andar de bicicleta, desaparecer. A perfeição que eu achava que ele tinha atingido, se distanciava do meu filho e da nossa família.
Foi preciso muito tempo depois do diagnostico para que eu percebesse que sim, eu tenho um filho perfeito. Ele tem sofre de alucinações e delírios, tem esquizofrenia, mas ainda assim ele é perfeito. Perfeito para mim e para minha esposa. O filho que sempre sonhamos em ter.



domingo, 8 de janeiro de 2012

Henrico.

Henrico vivia entre acordes, mas fingia viver entre legislações. Henrico sonhava com shows e fãs, mas dizia sonhar com tribunais. A única maneira de alcançar o que almejava era deixando de ser quem ele realmente era. Com o tempo, essa se tornou sua maior especialidade.
Nascido em berço praticamente de ouro e criado em internatos religiosos, Henrico cresceu acreditando que poderia ter tudo o que quisesse. Até que conheceu novos amigos.
Montou uma banda, deixou o cabelo crescer, arrumou uma namorada e uma legião de fãs.
Mas para os pais ainda era o Henrico de sempre, o cabelo fazia parte de uma promessa, a namorada era só um erro e os fãs... os pais nunca souberam dos fãs. O filho seria o advogado que eles sempre sonharam. Só que não era isso que Henrico queria, nunca foi.
Henrico só queria viver a própria vida. Fazer sua música, tocar sua guitarra. Independente dos pais, dos amigos, da namorada, dos fãs. Ele só queria viver a vida que ele sempre sonhou em ter. Seria isso querer demais? Seria isso sonhar muito alto? Não importava. Não mais.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Giorgia.


A primeira garrafa de champagne já foi aberta e logo os fogos começarão. "Ano novo, vida nova", nada como o último dia do ano para refletir as coisas que não foram feitas.
Esse ano não houveram amores. Assim como prometido na virada do ano, só haveria envolvimento carnal, afinal "amor é atraso de vida", já diria seu avô.
O emprego continua o mesmo, o chefe continua um canalha e as coisas continuam não indo bem com o seu pai.
Mas nesse Reveillón ela já não é a mesma Giorgia do ano passado, a antiga queria liberdade, diversão, queria esquecer. A nova anda pensando em casinha de campo, jardinagem e sumir do mundo.
A antiga queria ser lembrada, a nova anda querendo ser esquecida. A antiga guardava rancor em cada célula do seu corpo, a nova quer pedir perdão.
Giorgia não imaginava que em um ano, em míseros trezentos e sessenta e cinco dias poderia crescer tanto, poderia renascer. Mas isso aconteceu.
E para o ano que virá, ela o vê como um livro em branco. Sua história será contada, em primeira pessoa, em tempo real. E para ela, só resta torcer para que dê tudo certo. Ou pelo menos que dê um bom livro.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Félix.

O silêncio e a escuridão são meus únicos companheiros agora que ela se foi, mas a desgraçada tinha de sangrar tanto?
Com cuidado tiro um cacho loiro (agora com pontas vermelho-sangue, literalmente) do rosto angelical da bela décima quarta. Dou uma última olhada em seu corpo, mesmo morta ela ainda é de tirar o fôlego. Mas isso já é doença, lembro-me enquanto fecho a porta.
No dia seguinte todos os tablóides expõem a décima quarta reclamando que sua morte foi "cruel e claramente sem motivo algum", pela décima quarta vez, eles estão errados. Eu tinha um motivo. Não sou uma pessoa cruel.
Eu deveria parar por aqui, esse jogo está ficando cansativo e perigoso, mas eu não consigo. Tudo se resume ao prazer. Cada vítima é como a primeira, os gritos são estimulantes, o coração batendo acelerado, as pupilas dilatadas de medo, tudo isso é lindo. E o sangue? Só de lembrar do cheiro e da cor do sangue delas sinto um prazer quase orgásmico.
A escolha das meninas é simples, normalmente são secretárias, a cor do cabelo não importa, muito menos o local aonde trabalham. A única coisa que me interessa é a condição de cometer o crime, por isso a maioria acaba sendo secretária.
Normalmente eu estou sentado em um café, um lugar como o Starbucks e a vítima me escolhe, como a ruiva sentada em minha frente que acaba de escolher a morte. Eu só preciso de um sorriso e um olhar em minha direção, como esses que ela acaba de me dar. Mas acima de tudo, é o sangue que me atrai. Um olhar e um sorriso bastam para que eu deseje o sangue dela. Mas por hora eu vou apenas segui-la e descobrir o melhor jeito de matá-la.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Evangeline.

Um borrão. Quando eu olho para o monitor só vejo um borrão com um esboço de olhos, nariz e boca. Estão dizendo que esse borrão é meu filho.
Não sei se ele será ruivo ou moreno, se puxará as nossas manias ou terá as dele. Não sei se será tímido como eu ou um conquistador como o pai. Eu só quero que ele nasça perfeito. Cinco dedos em cada mão, uma visão perfeita, uma audição perfeita e um choro que preencha todo o vazio dessa casa. Eu só quero que ele ande, ou melhor, corra, por todo lado e peça uma casa na árvore de Natal, assim ele poderá subir nos galhos e se esconder no alto sempre que estiver perto de levar uma bronca.
Eu quero que ele namore bastante também e me conte tudo. Vou engolir meus ciumes e torcer para que a garota faça por merecer o meu filho. Eu quero que ele encontre um amor como eu encontrei em seu pai, e se entregue. Leve flores caso a menina goste, seja romântico e diga "eu te amo" só para vê-la enrubescer e sorrir.
Eu espero que ele seja médico ou então professor, advogado, jogador de futebol, arquiteto, qualquer profissão que ele escolher. Eu espero que ele sonhe e consiga alcançar todos os seus sonhos, por mais que não acreditem nele. Eu espero que ele me ame, tanto quanto eu o amo desde agora e o amarei depois. Eu espero que ele confie em mim e tenha sempre orgulho de dizer "essa é a minha mãe". Eu espero que eu consiga aprender a ser uma boa mãe.
Pode ser um borrão, mas é o meu borrão. O borrão que ainda não tem nome, mas já tem sobrenome. O borrão que eu não esperava, mas agora aguardo ansiosa.

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(nota: inspirado em Evangeline Green, do livro "Olhos de Menina" da autora Susan Fletcher)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Dimitri.

"Você pode ter qualquer um que quiser, Dimitri". Em toda a minha vida, disseram isso à mim, infelizmente não posso ter quem eu quero no momento.
Deus. Simplesmente não há palavra melhor para defini-lo. Os olhos cor de mel, a boca carnuda que guarda um sorriso que ilumina qualquer lugar, a pele bronzeada, o cabelo jogado para o lado...
Mas quando olho para a mão dele, percebo que está entrelaçada em outra mão, a mão de uma deusa, a mão da minha melhor amiga.
Desde então os dias têm sido assim, acordar de um sonho perfeito, em que a mão dele entrelaça a minha, em que a boca dele beija a minha. Todos os dias têm sido assim, acordar de um sonho perfeito e perceber que a vida não é como o sonho e a mão dele entrelaça outra mão, a boca beija outra boca, mas nunca a minha.
Por um momento nos olhamos nos olhos e eu sinto que ele sabe, que ele entende. E por um momento acredito que ele largará o violão e virá de encontro a mim e sem mais delongas dirá que está confuso e que talvez esteja apaixonado por mim. Mas ao invés disso ele desvia o olhar pra o violão e recomeça outra música, sem vir até mim, sem estar confuso, sem a possibilidade de estar apaixonado.
Me afasto mais e fico a olhar de longe, admirando aqueles olhos cor de mel, que sorriem. Sorriem para ela e provavelmente por ela.
Concordo com o resto do mundo, eles fazem um belo casal, eles se completam. E eu sou só um intruso. Um intruso que na verdade nunca entrou, que na verdade só ficava assim... de longe, admirando.
Em uma outra vida talvez? Talvez...
(mas nos meus sonhos eu sei que posso mais.)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cecília.

"Querida irmã,
a vida na cidade grande é dura. Não há cor. Há pecado por todo o lado, ninguém se respeita, ninguém se importa, ninguém se cumprimenta, todos são solitários.
Eu me pergunto aonde está a música, mas não há. Eu me pergunto aonde está a inocência, mas ela só é encontrada em quem acaba de nascer.
É difícil, irmã, para uma garota do interior se acostumar com a cidade. Eu sinto sua falta. Eu sinto falta da pequena igreja, da conversa na praça, de deixar a porta aberta, das pessoas sem malícia. Mas principalmente, eu sinto falta do céu e das estrelas. Os prédios me impedem de ver o céu, o cinza e a poluição impedem que as estrelas apareçam.
Sabe, acho que desaprendi a ser feliz aqui na cidade. É mais fácil me misturar ao humor sórdido e cinza daqui do que sorrir e assumir uma posição feliz e colorida.
As pessoas repugnam a cor. Isso me assusta.
Não há futuro, irmã. Não há salvação para essas pessoas ou para essa cidade.
Desculpe irmã, mas depois de ver o mundo como ele realmente o é, não vejo motivos para continuar aqui.
Desculpe irmã, mas essa será a última vez que terá noticias de mim, pois eu pecarei. Pecarei em uma forma de me encontrar com Ele e me livrar dessa imundice de mundo.
Por favor, não chore com minha partida, um dia nos encontraremos e em um lugar muito melhor.
Com amor,
Cecília."

E a cidade se calou. Houve um longo silêncio entre uma onda e outra, enquanto Cecília caía. Mas ela estava certa, ninguém se importava. A cidade voltava para os seus barulhos, a sua falta de cor e os seus pecados, enquanto Cecília ia de encontro à sua felicidade.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Bess.

Com muito pesar ela se levantou. Eram onze horas da noite e ela não passaria outra noite sozinha em casa, ela não. Foi até o telefone e apagou todas as mensagens daquele imbecil, hoje nem mesmo ele iria estragar a sua noite. No rádio Julian Casablancas pedia "Forgive then even if they are not sorry ", Bess apenas acendeu outro cigarro e sorriu irônica.
Todos diziam que Bess era como uma fênix e sempre conseguia renascer das cinzas, ela prometeu a si mesma que hoje renasceria com uma boa aparência. Com uma calça de couro preta, uma blusa branca o suficiente rasgada para que pudessem ver todas as tatuagens que ela possuia, uma jaqueta de couro preta, um salto alto o bastante para que voltasse quebrado, olhos marcados e delineados de preto e um batom vermelho-sangue saiu em busca de aventura na fria Londres.
Assim que chegou no pub foi direto encontrar os seus amigos na mesa atrás do bar. O lugar era quente e escuro, apenas com algumas luzes vermelhas para iluminar. Perfeito para o que os frequentadores estavam acostumados a fazer. Em cima da mesa, haviam várias carreiras de cocaína prontas para serem consumidas, Bess pegou um canudo e puxou quase metade de uma carreira. Em um movimento rápido jogou o cabelo louro-branco (que ela mesma cortara) para trás, com outro movimento tirou a franja torta de seus olhos. A adrenalina e a euforia começavam a correr por suas veias. Mas ela queria mais, ela precisava de um efeito imediato. Com o dedo pegou o resto do pó e passou em sua gengiva.
E então ela olhou a sua volta e viu...
Há três anos ela frequentava esse lugar e era sempre a mesma coisa, o clichê de "sex, drugs and rock and roll" e seria assim até quando? Aos vinte e sete anos ela já não era mais nenhuma criança, não poderia continuar vivendo assim. Brincando de viver assim. Aos vinte e sete anos ela daria uma de Kurt Cobain e se mataria? Morreria com o tamanho do seu ego misturado com a sua dor? Mas ela não era Kurt Cobain, nem tinha o seu talento. Ela era apenas a Bess, a fênix Bess, a metamorfótica Bess.
O dia estava quase amanhecendo quando Bess saiu do pub, trôpega e ainda sobre o efeito da droga, ela olhava para o céu através de seus óculos escuros.
A fênix iria renascer mais uma vez.
Para uma vida diferente agora. Uma vida que mereça ser vivida.

Adam.

A primeira vez que eu o vi, tinha apenas cinco anos. Como em praticamente toda a minha infância, eu estava doente, então ele chegou de fininho e não disse nada, só segurou a minha mão. E nunca mais largou.
Se não fosse a mão dele segurando a minha, eu nunca teria enfrentado o primeiro dia do jardim de infância ou teria dito para o garoto melequento que implicava comigo o quanto eu o odiava. Se não fosse a mão dele segurando a minha, eu não aguentaria comer todas as verduras que me obrigavam ou aguentado a separação dos meus pais.
Adam foi o meu melhor amigo na infância (e depois, é claro, em toda a minha vida), me contava histórias sobre Napoleão, Henrique VIII e Colombo, me ensinou toda a história do mundo. Brincávamos de dar formas às nuvens. Ele via dragões, rostos, árvores... por causa dele eu só via corações.
Adam foi o meu maior segredo, nunca contei sobre ele para ninguém. Só de imaginar outra pessoa sentada ao seu lado, sentindo a força do seu olhar, me fazia sentir calafrios. Costumavam dizer que eu deveria ter algum problema mental por andar sempre sozinha, ninguém entendia. Adam entendia. Desde aquele dia, quando ele pegou pela primeira vez em minha mão, eu soube que ele seria o único a me entender.
Ele foi meu único amor.
Mesmo que nunca tenha realmente existido.